Thursday, June 09, 2011

papéis amassados.




Dia destes descobri o que fazer para aquietar os pensamentos: desamassar papéis. Meu quarto andava recheado de papéis amassados, ofício, panfleto, rifa disso e daquilo. Grandes e de todos os tamanhos bolinhas de palavras de amor, ação e propaganda estavam todas enroladas, amarrotadas e no chão, bem perto de meu fogão. Todas elas queriam dizer tantas coisas e aquele aperto todo do á de cara com o gê, do éfe empurrando o pê sufocava dentro de bolinhas de papel tudo aquilo que eu um dia ouvi e achei pronto-morre-aqui-amasso-e-jogo-fora. Ando durante a tarde desamassando papéis, ouvindo o que eles têm pra dizer. Um dia destes abri um papelzinho tão pequeno e quase rasgado que bem podia ter vindo nele escrito "Assassina", mas o papelzinho abriu um sorriso e disse: quando se abre um casulo e voam as borboletas não há então letras que roubem as asas de um amor que de tão amassado tem vontade agora de voar longe.

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